segunda-feira, 10 de junho de 2024
segunda-feira, 20 de maio de 2024
Ante-palavra
Está latente.
"Decifra-me ou devoro-te!"
Tudo. Intensidade de brevinstante. Fica. Esvai-se. Volta. Envolta de prazer e ânsia.
No ar, suspenso, todos os dizeres.
Aqui, fundo, dentro, o que ainda não tem forma. Só força. Movente. Vida.
domingo, 1 de outubro de 2023
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
Entreferida
Vinha a fresta.
Lucidez depois de tanto esforço de remendo.
A carne ainda ardia, vermelho sangue.
Precisava caminhar, sentir o vento no rosto, soprar com afago as feridas da alma. Um somatório delas.
Não era só o corte de um amor bonito que iniciava brotação, ansiava por florir. Doía saber com a alma que no fundo estava só. Saber de repente, muito . Era o afastar-se de todo o amor que deveria ser casa a condição para se manter viva.
Por tantos anos havia apenas sobrevivido. Indigna de estar no mundo.
Ansiava por casa. Não era sobre ser rejeitada mais uma vez. Era sobre não ter morada, não ser morada.
Habitar o entrecaminho dos destinos nenhuns.
Aos oito anos, talvez sete, transitava por ruas tão bonitas. Noite fresca, luz quente. Árvores floridas nos quintais. Varandas espaçosas em prédios familiares. Silêncio quebrado apenas pela voz da mãe, que contava sobre alguma história da infância. Era esse momento toda a morada de que precisava.
Tinham que retornar ao lugar hostil onde habitavam. Ele estaria transtornado por não saber onde estiveram. Talvez iniciasse novamente os gritos. Ela seria de novo imprensada feito rato contra a parede para o abate. Puxaria uma faca. O sangue escorreria do braço dele. Nada a ser feito senão gritar e correr.
sábado, 19 de agosto de 2023
Noite de estrelas encantadas. Era a visão do infinito enquanto só restavam as angústias a apertar o coração, fazer chorar. Ela inventava. Podia tocar o céu, inaugurar novas vidas, contar segredo às estrelas. As plantinhas, árvores, flores ao seu redor eram companhias no afago da penumbra e da luz da rua. Sonhava amores, fartura, bons tempos. Refazia as conversas da escola. Revisitava seus amigos, seus amores, suas vergonhas, alegrias. Queria ser querida, sentir o amor das pessoas a sua volta. Sempre fazia o mesmo pedido em suas orações: ser feliz e fazer com que todos ao redor também fossem felizes, em uma onda infinita, que a felicidade fosse de todos. Pensava com todo o coração, desejava com toda força que descobrira possuir.
Tinha sorte. Sabia. Não tanto quanto um dia descobriria ter.
Era amada. Do jeito que podiam amar, que sabiam. Também não lhes havia sido ensinado. Faziam o melhor que podiam.
Logo a novela acabaria e a voz de sua avó ressoaria a lhe chamar, pela porta da varanda. A avó também compactuava do encantamento das estrelas. Abraçava apertado, pedia que nunca deixasse de ter aquela ternura pelas pessoas.
terça-feira, 16 de maio de 2023
Andava exausta. Sabia que não era apenas a rotina. Passos apressados, juntando-se a muitos outros, por todos os lugares, cortando a cidade. Sua mente estava um caos. Seus sentimentos acompanhavam a urgência de seus passos. Desejava-o como se é possível desejar alguém em abismo, à beira da insanidade. Amava-o. E doía até não mais se alcançar o chão. Precisava seguir. Sem caminho. No compasso do não poder ser. De exausto desamor.
