quinta-feira, 9 de abril de 2020

A noite já foi escuridão densa para criança premente.
Já foi angústia, tortura assídua.
Descobri-a em algum momento gentil senhora. A portadora do mistério, lugar da sobra transformadora do mundo, doadora de morte.
É proteção, espera, possibilidade infinita da vida.
É minha. Inseparável companheira. Adensadora de alma. Caminho. Travessia.

sábado, 28 de março de 2020

Nunca nos preparamos de fato para a morte. Ela disfarça-se de distância. Mas está diariamente ao nosso lado. É companheira bem-vinda, necessária. Por ela estamos vivos. É lembrança tatuada, brisa e tempestade que alimenta a alma e faz nos movermos.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Devíamos ser gratos aos vendavais da vida. São os que trazem trevas e gestação. Neles, cada dor é parto de reconquista. É crescer de alma, é o viver-pulsão infinito.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Sobre o ritmo, a asa e o voo

A concretude é apenas detalhe. A pulsão intermitente é a vida. Ouvir faz comungar o mundo. Voar é ser o sabedor dos segredos do tudo e do nada de uma nota, da música do abismo, do ser e da morte.
Quero o ar. Sou alma ávida pelo vento.
Certo dia, talvez, a gente volte.
Com a alma mais leve
O vento traz às vezes de volta os sonhos de anos caídos como folhas na terra.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Tenho me perdido há tanto tempo... Palavras sempre foram meu achar, sempre minha casa, meu existir.
Sinto como se as tivesse perdido. Com elas, toda a vida do mundo. Sem elas, há apenas o resquício de algo que não se fez.
Vão-se.
Não há sequer vontade de protesto. Qual razão povoa os dias? Necessidade da fome, da sede. Nada mais. Nem sono. Sonhos, jamais.
Quem a autoridade a destituí-las?

Aos expropriados, expatriados , excetos, não há concessão, piedade, compaixão.
Quão mesquinho é o mecanismo que não permite o tanger das palavras.
Está em tudo, em ambos os lados. Na luta feroz por subsistência, apenas as feras esfomeadas e raivosas são capazes de atacá-lo.
Destruí-lo é tarefa, porém, apenas das palavras. É delas o poder de criação e destruição do mundo, do homem e de ideias.




sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Um pensamento bom faria toda a diferença. No momento do sozinho, o mundo é possibilidade e frustração.
Sobra tristeza a fazer ir embora a vontade.
Tive que, num susto de sopro, despedir-me de todas as minhas radiantes alegrias.
A morte ainda é desolação incontrolável. É ainda convite ao triste oco do mundo.
A luta pelo senso e pela sanidade tem sido dura, perversa.