A minha frente, o mundo põe-se em armas. Meu passado de cacos pontiagudos faz brotar gotas escarlates em meus dedos viajantes.
Sobra-me a vida a brotar, mesmo sem permissão, ainda sem promessas e o desejo do infinito, do disforme, do nada absoluto, onde a risada do louco se faz audível.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Tímidas palavras a rasgarem o horizonte límpido do papel. Fino fio de navalha a cortar a língua e fazer jorrar sangue de alma. Por este mar escarlate é preciso que se navegue... nos confins se achará vida e morte a jorrar em uma dança elemental. É o ritmo da poiesis que se desmitifica no sacrifício do corpo e do sangue, consagrando-se a ti, leitor.
Murmúrio
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
(Cecília Maireles)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Desabafo de inércia
Imobilidade. Não poder. Não crer.
Sem coragem de seguir, de transpirar... de respirar.
Desespero de nada mais almejar, de desistir. Não sou eu, o que resta é pura sombra.
O que persiste é a imensa angústia de não vislumbrar nada mais que gritos, insatisfação, desalento.
Sozinha, sem verdades, sem contentamento e sem poiesis. Quando a vida se esvai, o que povoa os pensamentos são os fantasmas da inércia, da impossibilidade. Não sou mais capaz de qualquer movimento.
Sem coragem de seguir, de transpirar... de respirar.
Desespero de nada mais almejar, de desistir. Não sou eu, o que resta é pura sombra.
O que persiste é a imensa angústia de não vislumbrar nada mais que gritos, insatisfação, desalento.
Sozinha, sem verdades, sem contentamento e sem poiesis. Quando a vida se esvai, o que povoa os pensamentos são os fantasmas da inércia, da impossibilidade. Não sou mais capaz de qualquer movimento.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Isto não é um cachimbo" - O que é arte?Pra que serve?Com que finalidade?
Na verdade, não há verdades.
A arte é o nada se perfazendo ou o tudo se nadificando, se preferir.
A arte, assim como a vida, não possui pretensão alguma senão brotar, viver desvivendo, morrer renascendo, devir. Ela não é um fim, um instrumento. Ela é o próprio fluxo que nos envolve, ela é a voz, a pulsão que todos nós possuimos, seja ela construtiva ou destrutiva. Ela é o berrar feroz, o clamor desesperado do profundo, daquilo que não quer rédeas, daquilo que diz não aos fundamentos, às idéias, às regras.
A arte é o apelo da alma por vida, é a denúncia contra o massacre cruel praticado pela razão. É o zombar que a vida dedica aos tolos, donos do inomeavel, do indomável.
A arte é o nada se perfazendo ou o tudo se nadificando, se preferir.
A arte, assim como a vida, não possui pretensão alguma senão brotar, viver desvivendo, morrer renascendo, devir. Ela não é um fim, um instrumento. Ela é o próprio fluxo que nos envolve, ela é a voz, a pulsão que todos nós possuimos, seja ela construtiva ou destrutiva. Ela é o berrar feroz, o clamor desesperado do profundo, daquilo que não quer rédeas, daquilo que diz não aos fundamentos, às idéias, às regras.
A arte é o apelo da alma por vida, é a denúncia contra o massacre cruel praticado pela razão. É o zombar que a vida dedica aos tolos, donos do inomeavel, do indomável.
A arte é a vida se declarando poesia, se declarando liberdade, se declarando possibilidade não de ser, mas de devir.
Não possuimos a vida, ela nos possui. O artista não cria uma obra, ela o cria, ela o transcende. A obra é sempre maior que o artista, transpassa a criação a outras vidas.
Assinar:
Postagens (Atom)