quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Amar-caminho

Neste momento, azul radiante de céu, subúrbio de tarde e gente firme. 

Neste, aceito que te amo.

Paixão arrebatadora em borboleta se abre calor do sol na pele em dia frio. 

Amar calmo, das paredes amarelas banhadas de luz. Telhados ondulantes, brilho de asas coloridas perdidas no inverno.

Seu rosto, desenho vivo na estrada. Andejo.

Caminho conhecido, percorrido. Meu. Tão meu que te acho. És a vida revolta e bonita que surge a cada passo.

Amo-te

Não quero atalhos, retornos. Em frente se anda. Todo caminhar é novo, ainda que por caminhos antigos.

Amo-te em movimento

cor agem 

des tino.




quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Andejar caminhos. 

Ainda que o mesmo, dias a fio, noites, chão pisado conhecido, é sempre novo.

Confeitaria favorita, portal de mundos infinitos. Sinto o gosto de vida livre . 

A jovem sorridente senta-se à tarde com a triste jovem que anseia cura, rovoltosa.

Hoje, no mesmo tempo e espaço, a mulher adulta sente o aconchego da casa em todos os sabores : café com manteiga, torrada, mesa, espelho de 4 faces. Frutas da época, o arco-íris a transpor os tempos-espaços , a viagem é para dentro, fundo, na alegria do instante. 

E vem. Vida instante. Adensamento. Caminho.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Ante-palavra

 Está latente. 

"Decifra-me ou devoro-te!"

Tudo. Intensidade de brevinstante. Fica. Esvai-se. Volta. Envolta de prazer e ânsia. 

No ar, suspenso, todos os dizeres. 

Aqui, fundo, dentro, o que ainda não tem forma. Só força. Movente. Vida.

domingo, 1 de outubro de 2023



Sabia que não podia ser dele. Desde o princípio dos tempos.
Fez sua prece à chuva que caía, à noite, mãe que abriga todos os segredos.
Pediu que fosse possível sentir seu toque, sonhar junto.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Entreferida

Vinha a fresta.

Lucidez depois de tanto esforço de remendo.

A carne ainda ardia, vermelho sangue. 

Precisava caminhar, sentir o vento no rosto, soprar com afago as feridas da alma. Um somatório delas. 

Não era só o corte de um amor bonito que iniciava brotação, ansiava por florir. Doía saber com a alma que no fundo estava só. Saber de repente, muito . Era o afastar-se de todo o amor que deveria ser casa a condição para se manter viva.

Por tantos anos havia apenas sobrevivido. Indigna de estar no mundo. 

Ansiava por casa. Não era sobre ser rejeitada mais uma vez. Era sobre não ter morada, não ser morada.

Habitar o entrecaminho dos destinos nenhuns.

Aos oito anos, talvez sete, transitava por ruas tão bonitas. Noite fresca, luz quente. Árvores floridas nos quintais. Varandas espaçosas em prédios familiares. Silêncio quebrado apenas pela voz da mãe, que contava sobre alguma história da infância. Era esse momento toda a morada de que precisava.

Tinham que retornar ao lugar hostil onde habitavam. Ele estaria transtornado por não saber onde estiveram. Talvez iniciasse novamente os gritos. Ela seria de novo imprensada feito rato contra a parede para o abate. Puxaria uma faca. O sangue escorreria do braço dele. Nada a ser feito senão gritar e correr.