Lembrar
do para que vivemos
Levar
dias como se fossem canções
Elevar
a alma ao mais alto do ar
Alcançar
o fluxo contínuo que faz nascer
Esperar
pela noite e pelo desconhecido morrer
Se lhe inquieta, saia do lugar. Faça.
Ande o quanto esse ímpeto determinar.
Ouça o que vem das profundezas. O corpo é sábio, a vida é fluxo e troca.
Ela doa e toma. Ela é você, e tudo, e todos. Seja, viva, ande.
Pra frente que se vai, mesmo que em ondas, de sinuoso chegar.
Por vezes é o tombo que faz chegar o mais profundo do dentro.
O que importa de fato? O que carregamos conosco todos os dias? Sombras ou leveza? A dor sempre foi bloco sólido, pesado, de esculpir poesia. Infortúnio desesperado, alma tormentosa, vagueante.
É possível discernir vida, depois de muita chuva caudalosa, névoa, frio de ossos atrofiados.
Há alguma fé. O sofrimento é ainda força bruta, mas a fé persiste mais. Fé nas pessoas. Fé de que existir é possível.
Quero um dia apenas de leveza. Suficiente para o movimento, para que o caos aponte a travessia.