sexta-feira, 6 de maio de 2022

Cura

A pele conecta. Transpassa energia. É ponte para o outro. O toque é como chegamos ao universo. Pode ser comunhão. Invasão,  violência, violação.  Também cura, propósito,  união. 
Nossos corpos precisam de calor, de carinho,  seja pela simples constatação do alcance do outro,  da existência,  de não estar só.
Somos feitos da mesma matéria,  o mesmo pó de estrelas.  Somos universo.  Por que é tão doce e tão difícil a conexão? 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 Se lhe inquieta, saia do lugar. Faça.

Ande o quanto esse ímpeto determinar.

Ouça o que vem das profundezas. O corpo é sábio, a vida é fluxo e troca.

Ela doa e toma. Ela é você, e tudo, e todos. Seja, viva, ande.

Pra frente que se vai, mesmo que em ondas, de sinuoso chegar.

Por vezes é o tombo que faz chegar o mais profundo do dentro.

sábado, 16 de outubro de 2021

 É como se todas as estórias já estivessem gastas. Nada resta além do cansaço, do imponderável desespero, da ânsia do que não existe. Vazio. Nenhum lugar.

Minha história não faz sentir, é esquecimento, desengano. 


sábado, 17 de outubro de 2020

Mundo móvel, nunca meu
Povoado de sorrisos alheios
Muros a preservarem 
Nenhum calor, atrofia
Vazio, apatia, asfixia
Lixo e luxo
Morre-se de carestia

Ando
caminho de nenhum chegar
Penso
vagueio por domínios de Dioniso
Danso
com música de antes dos tempos

Poesia dura
Lágrima de deserto
Vermelho sangue
Rua

Todos à grande rua dos homens livres!
Todos à bruta fera destruidora de certezas!
Viva o devir, as palavras, o porvir da poesia!
Viva o homem, a flor, a cor, o amor e a revolução!

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

 O que importa de fato? O que carregamos conosco todos os dias? Sombras ou leveza? A dor sempre foi bloco sólido, pesado, de esculpir poesia. Infortúnio desesperado, alma tormentosa, vagueante.

É possível discernir vida, depois de muita chuva caudalosa, névoa, frio de ossos atrofiados.

Há alguma fé. O sofrimento é ainda força bruta, mas a fé persiste mais. Fé nas pessoas. Fé de que existir é possível.

Quero um dia apenas de leveza. Suficiente para o movimento, para que o caos aponte a travessia.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A noite já foi escuridão densa para criança premente.
Já foi angústia, tortura assídua.
Descobri-a em algum momento gentil senhora. A portadora do mistério, lugar da sobra transformadora do mundo, doadora de morte.
É proteção, espera, possibilidade infinita da vida.
É minha. Inseparável companheira. Adensadora de alma. Caminho. Travessia.