segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 Se lhe inquieta, saia do lugar. Faça.

Ande o quanto esse ímpeto determinar.

Ouça o que vem das profundezas. O corpo é sábio, a vida é fluxo e troca.

Ela doa e toma. Ela é você, e tudo, e todos. Seja, viva, ande.

Pra frente que se vai, mesmo que em ondas, de sinuoso chegar.

Por vezes é o tombo que faz chegar o mais profundo do dentro.

sábado, 16 de outubro de 2021

 É como se todas as estórias já estivessem gastas. Nada resta além do cansaço, do imponderável desespero, da ânsia do que não existe. Vazio. Nenhum lugar.

Minha história não faz sentir, é esquecimento, desengano. 


sábado, 17 de outubro de 2020

Mundo móvel, nunca meu
Povoado de sorrisos alheios
Muros a preservarem 
Nenhum calor, atrofia
Vazio, apatia, asfixia
Lixo e luxo
Morre-se de carestia

Ando
caminho de nenhum chegar
Penso
vagueio por domínios de Dioniso
Danso
com música de antes dos tempos

Poesia dura
Lágrima de deserto
Vermelho sangue
Rua

Todos à grande rua dos homens livres!
Todos à bruta fera destruidora de certezas!
Viva o devir, as palavras, o porvir da poesia!
Viva o homem, a flor, a cor, o amor e a revolução!

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

 O que importa de fato? O que carregamos conosco todos os dias? Sombras ou leveza? A dor sempre foi bloco sólido, pesado, de esculpir poesia. Infortúnio desesperado, alma tormentosa, vagueante.

É possível discernir vida, depois de muita chuva caudalosa, névoa, frio de ossos atrofiados.

Há alguma fé. O sofrimento é ainda força bruta, mas a fé persiste mais. Fé nas pessoas. Fé de que existir é possível.

Quero um dia apenas de leveza. Suficiente para o movimento, para que o caos aponte a travessia.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A noite já foi escuridão densa para criança premente.
Já foi angústia, tortura assídua.
Descobri-a em algum momento gentil senhora. A portadora do mistério, lugar da sobra transformadora do mundo, doadora de morte.
É proteção, espera, possibilidade infinita da vida.
É minha. Inseparável companheira. Adensadora de alma. Caminho. Travessia.

sábado, 28 de março de 2020

Nunca nos preparamos de fato para a morte. Ela disfarça-se de distância. Mas está diariamente ao nosso lado. É companheira bem-vinda, necessária. Por ela estamos vivos. É lembrança tatuada, brisa e tempestade que alimenta a alma e faz nos movermos.