sábado, 4 de janeiro de 2020

Certo dia, talvez, a gente volte.
Com a alma mais leve
O vento traz às vezes de volta os sonhos de anos caídos como folhas na terra.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Tenho me perdido há tanto tempo... Palavras sempre foram meu achar, sempre minha casa, meu existir.
Sinto como se as tivesse perdido. Com elas, toda a vida do mundo. Sem elas, há apenas o resquício de algo que não se fez.
Vão-se.
Não há sequer vontade de protesto. Qual razão povoa os dias? Necessidade da fome, da sede. Nada mais. Nem sono. Sonhos, jamais.
Quem a autoridade a destituí-las?

Aos expropriados, expatriados , excetos, não há concessão, piedade, compaixão.
Quão mesquinho é o mecanismo que não permite o tanger das palavras.
Está em tudo, em ambos os lados. Na luta feroz por subsistência, apenas as feras esfomeadas e raivosas são capazes de atacá-lo.
Destruí-lo é tarefa, porém, apenas das palavras. É delas o poder de criação e destruição do mundo, do homem e de ideias.




sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Um pensamento bom faria toda a diferença. No momento do sozinho, o mundo é possibilidade e frustração.
Sobra tristeza a fazer ir embora a vontade.
Tive que, num susto de sopro, despedir-me de todas as minhas radiantes alegrias.
A morte ainda é desolação incontrolável. É ainda convite ao triste oco do mundo.
A luta pelo senso e pela sanidade tem sido dura, perversa.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Saudade

Parte de mim não mais habita o inarredável mundo das formas viventes.
Parte de mim se foi, não cabe mais na logicidade do cintilante mundo.
Penetra o esconderijo do absurdo, recôndido do fim
É parte dissonante e melodia de completude. 
É mistério em se fazendo.
Dor de não abraço,
de não toque,
de não ver.
Amor
que 
(é)
não
acaba.
De sentir
Demais não,
Aprofundamento.
É busca pelo se fazer do mundo.
É estar embevecido pela brevidade do minuto.
Dança a consonância do absurdo, movimento fundante.
Parte de mim é, sintaxe de transbordamento, dor e flor, cura.
Parte de mim habita o onde, o até, que Orfeu pôde aplacar com a lira.
Parte de mim é mundo brotante, outra, vaga lembrança de forma vivente.


Gotas de alma em transbordamento semeiam ventos de saudade e poesia.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A aprendizagem

Vida em convulsão
Tateia-se o medo
Desvios, labirintos
Imagem desdita.

O algo que se perde.
Amontoado, embrenhamento
de alma que se entretém.

Algo vai se aprumando
tomando espaço
até um miligrama de morte
fazer morada
no canto mais escuro
no negrume mais denso
na tessitura incompreensível
no limiar entre o eu e o infinito do dentro.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Brevidade

Ao fundo, no horizonte, o céu é laranja vibrante com toques de luz. Amarelo, e já violeta!
Nas montanhas do subúrbio as luzes enfeitam as casinhas. Besouros cintilantes.
A igreja da Penha reina soberana com toda luz artificial a se misturar ao brilho das nuvens do poente.
A imagem vibra, tremula em moldura cortada pelas linhas do viaduto. Os carros, frenéticos, a ela contrastam por ritmo e escuridão.
Logo o vermelho e o penumbroso já são toda a paisagem.
O ônibus chega, hora de embarcar rumo ao arrebol.