Há tempo não havia vazio,
o despropósito não encomodava,
a vida não era tão desejada.
Não há nada mais,
nem amor transloucado e
nem verdade na beleza,
as coisas são tão descartáveis quanto gente.
Lindamente, longamente, languidamente... meus l's vão se perdendo no horizonte impenetrável do pôr do sol.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Desabafo de inércia
Imobilidade. Não poder. Não crer.
Sem coragem de seguir, de transpirar... de respirar.
Desespero de nada mais almejar, de desistir. Não sou eu, o que resta é pura sombra.
O que persiste é a imensa angústia de não vislumbrar nada mais que gritos, insatisfação, desalento.
Sozinha, sem verdades, sem contentamento e sem poiesis. Quando a vida se esvai, o que povoa os pensamentos são os fantasmas da inércia, da impossibilidade. Não sou mais capaz de qualquer movimento.
Sem coragem de seguir, de transpirar... de respirar.
Desespero de nada mais almejar, de desistir. Não sou eu, o que resta é pura sombra.
O que persiste é a imensa angústia de não vislumbrar nada mais que gritos, insatisfação, desalento.
Sozinha, sem verdades, sem contentamento e sem poiesis. Quando a vida se esvai, o que povoa os pensamentos são os fantasmas da inércia, da impossibilidade. Não sou mais capaz de qualquer movimento.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Isto não é um cachimbo" - O que é arte?Pra que serve?Com que finalidade?
Na verdade, não há verdades.
A arte é o nada se perfazendo ou o tudo se nadificando, se preferir.
A arte, assim como a vida, não possui pretensão alguma senão brotar, viver desvivendo, morrer renascendo, devir. Ela não é um fim, um instrumento. Ela é o próprio fluxo que nos envolve, ela é a voz, a pulsão que todos nós possuimos, seja ela construtiva ou destrutiva. Ela é o berrar feroz, o clamor desesperado do profundo, daquilo que não quer rédeas, daquilo que diz não aos fundamentos, às idéias, às regras.
A arte é o apelo da alma por vida, é a denúncia contra o massacre cruel praticado pela razão. É o zombar que a vida dedica aos tolos, donos do inomeavel, do indomável.
A arte é o nada se perfazendo ou o tudo se nadificando, se preferir.
A arte, assim como a vida, não possui pretensão alguma senão brotar, viver desvivendo, morrer renascendo, devir. Ela não é um fim, um instrumento. Ela é o próprio fluxo que nos envolve, ela é a voz, a pulsão que todos nós possuimos, seja ela construtiva ou destrutiva. Ela é o berrar feroz, o clamor desesperado do profundo, daquilo que não quer rédeas, daquilo que diz não aos fundamentos, às idéias, às regras.
A arte é o apelo da alma por vida, é a denúncia contra o massacre cruel praticado pela razão. É o zombar que a vida dedica aos tolos, donos do inomeavel, do indomável.
A arte é a vida se declarando poesia, se declarando liberdade, se declarando possibilidade não de ser, mas de devir.
Não possuimos a vida, ela nos possui. O artista não cria uma obra, ela o cria, ela o transcende. A obra é sempre maior que o artista, transpassa a criação a outras vidas.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Há muito a ausencia nao trazia desespero, o subterraneo nao emergia à superfície e não se dava voz ao silencio.
Há muito não se queriam ouvir as vozes que sopram nos mais intimos e distantes abismos.
Só quando tudo cessa de se tecer na trama dos dias, é que se sente com a alma, se vê além do que se pode racionalizar, além de qualquer moral. É neste plano, e somente neste, quando nao se permite ser arrebatado pela vida, que se sabe quao audaz é o ser humano, tentando a todo momento traçar sentidos entre o nascer e o morrer, utilizando-se de seus sentires e privares para contruir estruturas solidas de ideias.
Mas o que deva ser logico foge sem cessar ao homem e sua condição finita. Sucumbem às eras todo traço humano já delineado.
Conceitos sao mortais, toda relação humana regida por ordens é apenas pó diante do brotar incessante dos sentimentos e da falta de linearidade da vida.
Pode-se amar um morto, mas ele está fora de toda e qualquer jurisdição social, ética ou moral.
Pode a ciência, aclamada como verdade absoluta, inventar curas para toda doença, mas ainda assim é preciso morrer, ainda assim há quem morra por sonhos, ideais.
A vida sempre corre depressa a quem pouco se interessa por seus surdos falares misteriosos.
A cada segundo há atores, em toda parte, vestindo e despindo-se de mascaras, tentando arrancar aplausos da plateia, antes que as cortinas se fechem. Rir e chorar é regra aos expectadores ao se tornarem um e mesmo com o personagem em cena. E assim, com teceres intrincados e enredos urdidos, os laços humanos ganham plenitude e superam o proprio humano.
Há muito não se queriam ouvir as vozes que sopram nos mais intimos e distantes abismos.
Só quando tudo cessa de se tecer na trama dos dias, é que se sente com a alma, se vê além do que se pode racionalizar, além de qualquer moral. É neste plano, e somente neste, quando nao se permite ser arrebatado pela vida, que se sabe quao audaz é o ser humano, tentando a todo momento traçar sentidos entre o nascer e o morrer, utilizando-se de seus sentires e privares para contruir estruturas solidas de ideias.
Mas o que deva ser logico foge sem cessar ao homem e sua condição finita. Sucumbem às eras todo traço humano já delineado.
Conceitos sao mortais, toda relação humana regida por ordens é apenas pó diante do brotar incessante dos sentimentos e da falta de linearidade da vida.
Pode-se amar um morto, mas ele está fora de toda e qualquer jurisdição social, ética ou moral.
Pode a ciência, aclamada como verdade absoluta, inventar curas para toda doença, mas ainda assim é preciso morrer, ainda assim há quem morra por sonhos, ideais.
A vida sempre corre depressa a quem pouco se interessa por seus surdos falares misteriosos.
A cada segundo há atores, em toda parte, vestindo e despindo-se de mascaras, tentando arrancar aplausos da plateia, antes que as cortinas se fechem. Rir e chorar é regra aos expectadores ao se tornarem um e mesmo com o personagem em cena. E assim, com teceres intrincados e enredos urdidos, os laços humanos ganham plenitude e superam o proprio humano.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Noturno
Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
Que vale o pensamento humano,
esforçado e vencido,
na turbulência das horas?
Que valem a conversa apenas murmurada,
a erma ternura, os delicados adeuses?
Que valem as pálpebras da tímida esperança,
orvalhadas de trêmulo sal?
O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,
no profundo diagrama.
E o homem tão inutilmente pensante e pensado
só tem a tristeza para distingui-lo.
Porque havia nas úmidas paragens
animais adormecidos, com o mesmo mistério humano:
grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas,
sem compromissos de viver.
Grandes animais sem passado, sem antecedentes,
puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.
Mas a noite desmanchava-se no oriente,
cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça,
e começavam a puxar as imensas rodas do dia.
Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!
(Cecília Meireles)
Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
Que vale o pensamento humano,
esforçado e vencido,
na turbulência das horas?
Que valem a conversa apenas murmurada,
a erma ternura, os delicados adeuses?
Que valem as pálpebras da tímida esperança,
orvalhadas de trêmulo sal?
O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,
no profundo diagrama.
E o homem tão inutilmente pensante e pensado
só tem a tristeza para distingui-lo.
Porque havia nas úmidas paragens
animais adormecidos, com o mesmo mistério humano:
grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas,
sem compromissos de viver.
Grandes animais sem passado, sem antecedentes,
puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.
Mas a noite desmanchava-se no oriente,
cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça,
e começavam a puxar as imensas rodas do dia.
Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!
(Cecília Meireles)
Murmúrio
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
(Cecília Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
(Cecília Meireles)
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