quinta-feira, 6 de abril de 2023

 

Sinto fome. Me consome. A ânsia de te ter. Tocar sua pele. Ser toque. Dançar com o ritmo do seu corpo. Queimar com seu calor. Ser êxtase, vibração, impulso, fluxo. 

Trânsito entre dois corpos. Contato entre almas que se devoram. Que se reencontram. Amantes. São início e fim. São todo o universo em um único ato.

Não sei fazer poemas de amor.

Cultivo apenas a Tristeza, companheira dos sorrisos.

Eis que surge, com a despretensão dos destinos,

Sua imagem a enfeitar meu dia, alma em radiância, 

Foto, distante, alheia, sem mim.

Sorrio. Converte-se em linda figura da minha dor. 

A ti, desejo-lhe, de pronto

Apenas toda a existente alegria.


terça-feira, 13 de setembro de 2022

 Lembrar

do para que vivemos

Levar

dias como se fossem canções

Elevar

a alma ao mais alto do ar

Alcançar

o fluxo contínuo que faz nascer

Esperar

pela noite e pelo desconhecido morrer

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Cura

A pele conecta. Transpassa energia. É ponte para o outro. O toque é como chegamos ao universo. Pode ser comunhão. Invasão,  violência, violação.  Também cura, propósito,  união. 
Nossos corpos precisam de calor, de carinho,  seja pela simples constatação do alcance do outro,  da existência,  de não estar só.
Somos feitos da mesma matéria,  o mesmo pó de estrelas.  Somos universo.  Por que é tão doce e tão difícil a conexão? 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 Se lhe inquieta, saia do lugar. Faça.

Ande o quanto esse ímpeto determinar.

Ouça o que vem das profundezas. O corpo é sábio, a vida é fluxo e troca.

Ela doa e toma. Ela é você, e tudo, e todos. Seja, viva, ande.

Pra frente que se vai, mesmo que em ondas, de sinuoso chegar.

Por vezes é o tombo que faz chegar o mais profundo do dentro.

sábado, 16 de outubro de 2021

 É como se todas as estórias já estivessem gastas. Nada resta além do cansaço, do imponderável desespero, da ânsia do que não existe. Vazio. Nenhum lugar.

Minha história não faz sentir, é esquecimento, desengano. 


sábado, 17 de outubro de 2020

Mundo móvel, nunca meu
Povoado de sorrisos alheios
Muros a preservarem 
Nenhum calor, atrofia
Vazio, apatia, asfixia
Lixo e luxo
Morre-se de carestia

Ando
caminho de nenhum chegar
Penso
vagueio por domínios de Dioniso
Danso
com música de antes dos tempos

Poesia dura
Lágrima de deserto
Vermelho sangue
Rua

Todos à grande rua dos homens livres!
Todos à bruta fera destruidora de certezas!
Viva o devir, as palavras, o porvir da poesia!
Viva o homem, a flor, a cor, o amor e a revolução!